Composição química de rochas
Temos recebido muitas perguntas ultimamente sobre composição química de rochas, principalmente depois da publicação deste post. Comumente perguntam-nos algo do tipo “qual o elemento químico que forma o granito” ou outra rocha qualquer. É necessário que as coisas fiquem bem claras. Uma rocha é, em geral, um agregado de minerais. O granito, por exemplo, é majoritariamente formado dos minerais quartzo, feldspatos e micas. Um mineral, por sua vez, é uma substância, natural ou artificial, de composição química conhecida e característica, com estrutura atômica ordenada, geralmente na forma de cristais. Há minerais formados por apenas um elemento químico, como o ouro, mas a maioria dos minerais é de compostos multielementares. Há grupos de minerais “aparentados”, como os silicatos, formados a partir de inúmeras combinações físicas e químicas a partir de tetraedros de silício. Todos os minerais que compõem o granito por exemplo são silicatos: o quartzo e o feldspato são tectosilicatos e as micas são filossilicatos. A composição mineralógica das rochas ígneas dependerá basicamente da composição do magma a partir do qual se formaram. A composição das rochas metamórficas e sedimentares dependerá da composição das rochas ou sedimentos que lhes deram origem, lembrando que sedimentos são em geral resultado da intemperização (”decomposição”) de outras rochas ou da precipitação de compostos químicos. Dentro de determinado grupo de rochas, no entanto, há predominância ou maior presença de certos elementos químicos. As rochas ígneas ácidas são ricas em silício e relativamente pobres em ferro e magnésio, geralmente apresentando cor clara (leucocráticas) e são também chamadas rochas félsicas (de FELdspato e SÍlica), um exemplo é o próprio granito. Os solos originados destas rochas são geralmente mais amarelados. As rochas ditas básicas são menos ricas em silício e mais ricas em minerais contendo magnésio e ferro, por isso são também chamadas máficas, são rochas mais escuras (melanocráticas) e os solos delas originados costumam ser mais avermelhados. Um exemplo comum de rocha máfica é o basalto. Os minerais que compõem as rochas básicas são predominantemente silicatos: olivina, piroxênio, feldspatóides e feldspatos. As rochas metamórficas costumam ter composição semelhante à da rocha que lhe deu origem: o gnaisse é composto pelos mesmos minerais do granito. Dependendo do ambiente onde se dá o metamorfismo, no entanto, pode haver mudanças na composição em relação à rocha original. A composição mineralógica das rochas sedimentares, como já foi dito, depende da composição dos sedimentos. Rochas formadas a partir da litificação de areias de quartzo, como arenitos, são compostas principalmente por este mineral. Alguns arenitos, chamados de arcosianos, contêm também feldspatos. O calcário é formado da precipitação de carbonato de cálcio. A composição química dos solos, formados a partir do intemperismo químico e físico das rochas, é até certo ponto herdada da rocha parental.



17 Abril, 2008 em 7:26 pm
Muito boa a reportagem, com conteúdo, elucidativa e muito informativa. Sendo assim eu gostaria de deixar algumas questoes….Quer dizer que se eu triturar algumas rochas silicatadas a tamanhos ínfimos pode ser possível sua aplicação na recuperação de solos de lavouras intensivas? Basicamente só me faltaria uma fonte de materia orgânica para reconstituir todas as propriedades do solo de maneira ecologica e sustentável? Saudações.
17 Abril, 2008 em 8:28 pm
Caro José Salles,
Não se pode de forma alguma tirar esta conclusão a partir do que escrevi. Um solo, e sua fertilidade química, não se produz apenas a partir de intemperismo físico de rochas. A trituração em partículas de tamanho muito pequeno é uma imitação apenas do intemperismo físico. As argilas do solo, no entanto, originam-se do intemperismo químico de minerais primários, ou seja, de sua alteração química e mineralógica, e isso não é facilmente imitável. A recuperação de áreas degradadas é um processo muito mais complexo. Dependendo do clima e do tipo de rocha que você usasse, possivelmente o efeito desta “fertilização” que você propõe só seria sentida depois de dezenas ou talvez centenas de anos. Um solo, como já escrevi em outros lugares, é resultado de uma série de fatores interagindo ao longo do tempo, e a rocha de origem é apenas um deles. Não existem fórmulas fáceis e milagrosas para recuperar um solo, tenha sido ele degradado por agricultura intensiva ou outro uso qualquer. Não duvido que haja por aí charlatões que vendam este tipo de solução, mas não é nosso caso. Prestamos consultoria em recuperação de áreas degradadas, se desejar entrar em contato conosco com algum caso concreto, sinta-se à vontade.
18 Abril, 2008 em 2:00 pm
Antes de tudo, agradeço sua atenção pela resposta, embora, cada vez mais, penso que o mundo acadêmico não deva se distanciar muito do mundo prático. Entretanto, é de grande valia seu esforço na tentativa de me informar sobre seu ponto de vista. Mesmo não sendo o mesmo que o meu e nem sendo especialista no assunto como vc é, discordo da idéia de não acreditar no uso das rochas micronizadas como uma alternativa para a reconstituição do solo. Por outro lado, concordo que em alguns casos, os minerais das rochas trituradas demoram a ser disponibilizado. É por isso que vou além, imaginando que talvez uma simulação das condições do intemperismo pudesse acelerar a disponibilização desses nutrientes minerais, por exemplo através de uma “compostagem” com cepas de microorganismos específicos. Acho que meu comentário é pertinente porque tenho buscado informações sobre o tema em artigos científicos de autores de renome internacional, os quais não acredito que sejam os tais charlatões que você me comentou. Na opinião deles, estaé uma técnica indicada como chave para agricultura moderna sustentável. Entre outras técnicas muito utilizadas, há o uso de sedimentos biodetríticos marinhos que quando micronizados e lançados ao solo são absorvidos quase que cerca de 98% e incorporados como fonte de minerais e calcário. Porém esse recurso biológico, apesar de ser natural não apresenta sustenbilidade de uso a longo prazo porque essa fonte de calcário é derivada de algas calcárias marinhas que crescem cerca de apenas 1mm/ ano. O fato concreto é que estou buscando alternativas ecologicamente corretas para oferecer saúde ao solo e essa técnica já é bem conhecida e difundida em países onde a agricultura é realmente moderna, onde se dá o verdadeiro valor e importância para a terra e que de forma alguma desconsidera o uso de rochas para a fertilização do solo. Minha intensão aqui é trazer à luz a discussão sobre o assunto e buscar opiniões de diversos especialistas. Com certeza a sua é uma forma importante de observar as possibilidades e agradeço muito sua atenção. Um abraço e muito sucesso!