Intemperismo químico de rochas e salinização de solos do semi-árido

Em certo trecho no último post comentei sobre a inadequação do uso de águas subterrâneas na irrigação em solos do semi-árido desenvolvidos sobre rochas que chamei de cristalinas. Este assunto, parece-me, merece um pouco mais de explicação. As rochas do mundo dividem-se em três grandes grupos: rochas ígneas, rochas sedimentares e rochas metamórficas. As rochas ígneas são aquelas que se originam do resfriamento do magma, quer no interior de câmaras magmáticas, quer no ambiente externo, como exemplos de rochas ígneas pode-se citar os granitos e os basaltos. Rochas sedimentares são aquelas originadas a partir da litificação (”petrificação”) de sedimentos. Os sedimentos podem originar-se da intemperização de outras rochas, da precipitação de compostos, como o carbonato de cálcio, ou de restos de organismos vivos. Os exemplos são o arenito, o calcário e os diatomitos. As rochas metamórficas, por sua vez, formam-se em ambientes de elevadas pressão e temperatura. As metamórficas podem ter origem tanto em rochas ígneas quanto em sedimentares: o gnaisse pode vir tanto de um granito quanto de um argilito. O que eu chamei de rochas cristalinas, muito comuns no semi-árido nordestino, são basicamente rochas ígneas e metamórficas dos grupos do granito e do gnaisse. Estes materiais são compostos predominantemente dos minerais quartzo, micas (biotita e muscovita) e vários feldspatos. Assim como já foi diversas vezes discutido aqui, a ação dos agentes intempéricos (água, vento, temperatura, organismos vivos…) causa a decomposição da rocha, o intemperismo. O intemperismo físico é resumidamente a quebra da rocha em pedaços menores. O intemperismo químico abrange tanto a perda de elementos químicos como a formação de minerais novos, chamados minerais secundários, em contraste com os minerais primários que compunham as rochas. Em regiões úmidas, a água, principal agente intemperizador químico, dissolve e carrega os elementos químicos em profundidade e superficialmente. É por isso que solos de regiões quentes e úmidas são nutricionalmente pobres. Em regiões semi-áridas, os solos costumam ser mais férteis porque o intemperismo tanto de rochas quanto de solos é muito menos intenso. Por esta mesma razão, as águas subterrâneas das áreas sobre material geológico cristalino têm teores de sais (medidos em termos de condutividade elétrica) mais alto. Além de o intemperismo ser incipiente, a alta evaporação muitas vezes faz com que haja ascensão de água subsuperficial por um processo chamado capilaridade. Esta água é rica em sais e, quando evapora, deixa o excesso de sal na superfície dos solos. Quando se irrigam as culturas com água de alta salinidade, é também a evaporação seguida de precipitação dos sais nos solos que causam a salinização. Além dos efeitos deletérios para as espécies vegetais, o excesso de sais pode comprometer também a estrutura dos solos, por causar dispersão de argilas e colóides orgânicos, destruindo os agregados, diminuindo a porosidade, aumentando a densidade do solo e agravando o problema já grave da erosão ao diminuir a infiltração de água nos solos. Assim, tanto a pobreza nutricional de solos de regiões tropicais úmidas, a profundidade do saprolito nestas áreas, quanto a riqueza nutricional de alguns solos do semi-árido e sua predisposição à salinização, dependem da intensidade da ação do intemperismo. 

8 Respostas para “Intemperismo químico de rochas e salinização de solos do semi-árido”

  1. Composição química de rochas « Geófagos Disse:

    [...] perguntas ultimamente sobre composição química de rochas, principalmente depois da publicação deste post. Comumente perguntam-nos algo do tipo “qual o elemento químico que forma o granito” ou [...]

  2. julia Disse:

    Oi,eu estou na 5 serie e este site me ajudou a fazer um trabalho e eu tirei nota 10,0 intemperismo..obrigada

  3. Helena Disse:

    Preciso tirar uma dúvida. Falando em erosão do solo preciso saber qual das duas alternativas estao corretas.

    A erosao por impacto de gotas é característica em solos de zonas desérticas.

    A ARIDEZ É EXTREMA EM SOLOS DE ZONAS DESÉRTICAS.

    favor me ajudar. Obrigada.

  4. Carlos Pacheco Disse:

    Cara Helena,
    A segunda opção é a correta. A erosão por impacto das gotas da chuva é característica principalmente de ambientes úmidos. Ela é menos problemática em zonas desérticas, onde a erosão por ação do vento se torna mais importante. Portanto, a primeira afirmativa não estaria correta.

  5. Gabi Disse:

    Estou fazendo um trabalho sobre o solo e gostaria d saber quais sao os tres elementos q formam o solo!!

  6. Italo M. R. Guedes Disse:

    Cara Gabi,
    Em termos de elementos químicos, o solo não é formado por três, mas por vários elementos, acho que seu trabalho deve se referir à divisão do solo em fração sólida, líquida e gasosa, ou então na subdivisão da fração sólida mineral nas frações de tamanho de partículas areia, silte e argila. Já publicamos uma série de posts cobrindo estes assuntos. A seguir os links dos principais deles tratando destes assuntos:
    http://geofagos.wordpress.com/2006/10/17/sobre-o-chao-que-pisamos/
    http://geofagos.wordpress.com/2006/12/15/o-solo-de-ca-nao-e-o-mesmo-de-la-ii/

    Espero que ajudem.

  7. Marilia Disse:

    Estou com uma duvida: O que é sais de rocha?

  8. amaral Disse:

    presiso fazer uma cruzadinha sobre intemperismo

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