29 Julho, 2006
No livro Desvendando o arcoíris, o biólogo e grande divulgador da evolução por seleção natural Richard Dawkins tenta mostrar como o universo desvendado pela Ciência pode ser uma rica fonte de inspiração para os artistas, ao contrário do que pensam muitos, como o poeta inglês Keats, que acreditava que Newton roubara todo o encanto dos arcoíris, ao desvendá-los. Fora os escritores de ficção científica, conheço poucos exemplos de artistas usando temas científicos ou inspirados pela Ciência. Dos poucos exemplos que conheço, sobressaem os poetas repentistas do sertão nordestino, que em geral mostram sua superioridade em relação aos adversários desfiando seus conhecimentos, muitas vezes surprendentemente minuciosos, casando de maneira admirável a criatividade artística com o maravilhamento frente à complexa beleza do universo, da Natura, como gostam de dizer. Não deixa de ser uma possibilidade interessante tentar usar a abilidade destes artistas em prol da divulgação do conhecimento científico, além de exemplo do casamento possível Ciência-Arte. Mundialmente, há tentativas sérias de instigar o uso da Ciência como tema artístico bem como de incentivar que cada vez mais cientistas se expressem artisticamente, cito especificamente o movimento Lablit (laboratory literature), bem representado na internet no site www.lablit.com, por exemplo. Há uma série de exemplos de grandes cientistas que em algum momento sentiram necessidade de conjugar arte e ciência, no Brasil:Mário Schoenberg e José Lopes Leite; no exterior: Einstein, Feynman, o próprio Asimov era um cientista por treinamento. E há, claro, o caso bem mais raro de grande artista que sentiu necessidade de atuar como cientista, ainda que por um período relativamente curto, disto só conheço um exemplo: o inigualável Vladimir Nabokov. Interessado desde criança em colecionar borboletas, o escritor russo de expressão inglesa chegou a atuar como anatomista de lepidópteros nos EUA, tendo feito importantes contribuições na taxonomia de certo grupo de borboletas.
Nenhum comentário » |
Uncategorized |
Permalink
Escrito por Italo M. R. Guedes
26 Julho, 2006
Em seu livro Era dos Extremos, Eric Hobsbawm afirma que nos dias de hoje, em que a ignorância é rainha tranqüila, não se pode pressupor que as pessoas sabem, nem aquelas de que se espera isto, citando o exemplo concreto de um seu aluno perguntando se o fato de se falar em II Guerra Mundial queria dizer que houvera uma I Guerra Mundial. Os que trabalham com pesquisa científica em geral atuam voluntariamente como revisores científicos de periódicos ligados a sua área, comigo não é diferente. Há pouco recebi um trabalho para revisar sobre contaminação do solo por metais pesados. Que os trabalhos em sua primeira versão não sejam perfeitos, vá lá, mas neste caso a imperfeição beirava o cômico. O autor ou os autores fizeram um experimento com colunas de lixiviação sem repetições! Havia dois tratamentos, cada um representado por uma única coluna de solo, cuja classe em nenhum ponto é especificada, diga-se de passagem, e passaram um ano fazendo lixiviações, um ano regando duas colunas de solo! Ainda arranjaram um jeito de fazer “correlações” entre teores de metais e pH, correlação a partir de uma amostra… Obviamente recomendei a não-aceitação desta pérola, mas o dinheiro público possivelmente foi gasto para esta “pesquisa”, além de meu precioso tempo.
1 Comentário |
Uncategorized |
Permalink
Escrito por Italo M. R. Guedes
22 Julho, 2006
Este é o primeiro post do blog Geófagos e resolvi intitulá-lo com a clássica expressão usada pelos programadores quando criam um programa. Este blog tem por objetivo discutir e antes de tudo divulgar a Ciência do Solo (sim, isso existe) e sua importância, em minha opinião fundamental, no mundo e na História. Como espero deixar claro no futuro, o bom manejo dos solos é imprescindível para a sobrevivência e sustentabilidade não só das nações mas também das civilizações. Como último comentário, gostaria de salientar que além de comentários sobre solos, reservo-me o direito de comentar e divulgar a Ciência em geral na esperança de que este espaço possa ser um bastião contra o avanço das idéias obscurantistas, supersticiosas e pseudocientíficas que assolam nosso tempo. O nome do blog é uma referência ao fato de nós humanos e praticamente todos os seres vivos sermos em última análise comedores de terra. A vida existe porque existe solo. Não deixa de ser uma homenagem a Charles Darwin, seu último livro foi sobre earthworms, minhocas, animais geófagos por excelência.
Nenhum comentário » |
Uncategorized |
Permalink
Escrito por Italo M. R. Guedes